Como a comodidade atrasa a vida da gente

Alguns casamentos que já acabaram há tempos, demoram a ser desfeitos por pura comodidade.Tanto os homens quanto as mulheres engolem muita coisa pra permanecer na zona de conforto. Separar dá uma preguiça…

Motivos DELES:

Casa e vida organizada – Na grande maioria das famílias, a mulher é que rege a casa. Mesmo as esposas que trabalham fora de casa e organizam a casa no “segundo turno” ou são elas que passam as diretrizes pra suas funcionárias domésticas. Parece simples, mas não é. Manter uma casa funcionando requer muito planejamento.  É a tal história, quando você mora sozinho e deixa um prato na pia após o café da manhã, ao chegar em casa, no fim do dia, o prato ainda estará na pia. Casa comida e roupa lavada são itens sedutores para alguns homens.

Filhos – Existem duas situações aqui. Quanto o pai quer os filhos e quando não faz questão. Quando o pai quer os filhos, se toca que dar carona pra escola ou para o inglês não é bem a totalidade de cuidar deles. Filho exige pensamento contínuo e não importa a idade. Tarefas, comida, aulas extras, dentista, médico, disciplina… Quando isso tudo é feito pela mulher, fica moleza. Assumir essas tarefas, as vezes dá medo.  Já o pai que não faz questão da guarda dos filhos, vê o filho como sinônimo de pensão. Então ficar casado por causa dos filhos acontece e muito, independente do motivo.

Sexo disponível – Embora a maior reclamação masculina do grupo dos casados seja que o sexo fica mísero após o casamento o sexo miserável, mas disponível, pode manter os mais “tranquilos” casados. (Isso se  já não tem outra na manga). A tal “só pra desafogar”. Às vezes a mulher pode estar até fazendo palavras cruzadas durante o ato, pois é melhor do que o “cinco contra um”. Nessa altura, quem se importa?

Dinheiro – essa é a principal preocupação masculina. Pensam que de imediato o patrimônio será dividido ao meio, que terá que pagar pensão, que será explorado pela ex- mulher. Os argumentos quando se trata de dinheiro são infinitos. Sem dúvida a primeira coisa que pensa um homem ao cogitar o divórcio é no dinheiro e com certeza o que mais incomoda e o faz acomodar.

Sociedade entre os cônjuges – poderia explicar no item acima, mas é muito mais complexo do que só dinheiro. Quando os cônjuges são sócios, a empresa pode virar um campo minado. Se o casamento acabar de forma madura, muitas vezes manter a sociedade é possível e vantajoso. Porém se houver briga, isso fatalmente prejudicará a empresa. Geralmente uma assombração para o homem.

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PS.  Motivos DELAS no próximo post! Prometo ser imparcial.

 

Filhos

A princípio, tentei ser o mais discreta possível. Como tinha passado os últimos meses viajando muito a trabalho, minha ausência não foi identificada instantaneamente como uma separação. Isso ajudou muito. Naquele momento não queria ficar respondendo perguntas espinhosas, queria me preservar, preservar meu ex-marido, que estava contrariado com a situação e acima de tudo preservar meus filhos.

Mas eu tinha que me abrir totalmente pra alguém, porque passar por tudo isso sem compartilhar nada com ninguém teria sido  uma tortura. Graças a Deus tenho amigas que me ajudaram e ainda minha mãe, que é sem sombra de dúvidas, meu apoio maior.

Muitas pessoas que não me conhecem tão intimamente ou que não têm os mesmos valores que eu, certamente não entenderiam minha decisão, mas tive a sorte de ter por perto algumas pessoas que foram essenciais para que eu mantivesse meu equilíbrio.

Deixei meus filhos. De longe isso foi o mais difícil! Sem sombra de dúvidas devo ter sido julgada pelos mal-amigos prontamente. “Que absurdo uma mãe fazer isso!”. “Quanto egoísmo!”. “Onde já se viu uma mulher abandonar a própria casa?”.  Só fico imaginando o que a “boca pequena” não comentou. Para mim só importava a opinião de 2 pessoas: as “crianças”.

Digo “crianças” mas os considero muito maduros para a idade. Eles já não são crianças de fato há algum tempo, têm 15 e 16 anos.Quando percebi que não estava mais aguentando o relacionamento, achei que eles ainda não estavam preparados para uma separação dos pais.   Eu esperei.  Me abri com eles, com relação ao que eu sentia, somente seis meses antes da minha partida. Esta conversa foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.

Nossa conversa esclareceu muita coisa pra eles. Ouvi deles que não entendiam porque eu estava tão impaciente e irritada com tudo e a partir desta conversa, fiquei aliviada. Isso foi essencial para que eu tivesse certeza de que não esperei à toa e que só então era o momento certo para que eu seguisse com o que eu tinha em mente.

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Sem sombra de dúvidas o elo mais frágil do relacionamento são os filhos. Eu escolhi esperar o melhor momento para eles. Não me arrependo dessa espera. Prezei para que a vida deles fosse influenciada pela minha decisão, da menor maneira possível. Queria que mantivessem a rotina. Foi um acerto. Fiquei me encontrando com eles a cada 10 ou 15 dias, durante quatro meses. Foram os meses mais compridos da minha vida. Choradeira generalizada nas despedidas, muita saudade. Todos nós amadurecemos neste período e com muito afeto e compreensão conseguimos enfrentar tudo sem sequelas.

Hoje compartilhamos a guarda deles. O convívio precisa ser mantido tanto com o pai quanto com a mãe. Eles não têm culpa do relacionamento ter acabado.

Pena que não deu certo!!

Como assim não deu certo??? Vinte anos juntos e tenho que ouvir que não deu certo? Deu super certo! Mas acabou!!!

Me casei aos 20 anos, com 21 já tinha dois filhos, criei eles com muito amor, toda energia possível e boa educação.

Durante o casamento, viajei, festei, conheci pessoas, estreitei amizades, fiz novos amigos e passei por momentos que viraram histórias pra contar.

Não admito que alguém diga que não deu certo. Só não foi eterno.

Antes de começarmos a namorar, eu e meu marido éramos muito amigos. Fomos casados, sócios, companheiros de balada, padrinhos de sobrinhos, padrinhos de amigos, pais das mesmas crianças. Fomos muitas coisas e agora só não somos mais casados….. O resto continua igual.

Graças a Deus escolhi o cara certo pra ser o pai dos meus filhos. Nenhum arrependimento neste quesito.

Temos muito respeito, um pelo outro. Que siga assim, pois nosso vínculo é eterno. 🙂

 

Como entendi que o casamento era meu mal?

Fiz análise por uns meses antes de decidir me separar.

Eu já queria há algum tempo, mas não tinha tido coragem de tomar uma atitude até então. Afinal foram 16 anos de casamento, de um total de 20 anos juntos, dois filhos e muita água que passou debaixo da ponte.

Conforme eu me argumentava nas sessões com o terapeuta, ia percebendo que eu tinha perdido o timing. O casamento tinha me engolido. Me apagou! Fiquei  p*#@ comigo mesma. Descobrir que eu me resumia a ser esposa de fulano ou mãe de beltrano me consumiu.

Por mais que eu tivesse trabalhado muito durante a minha vida, produzido muitas coisas e que este trabalho todo tenha estabilizado minha vida, não foram meus sonhos que eu realizei. Eu não existia! Todos à minha volta estavam super satisfeitos com suas vidas e eu… frustrada.

Ninguém tinha culpa por eu ter abandonado meus sonhos em detrimento dos sonhos dos outros, eu deveria ter lutado por eles, mas eu destilava minha frustração no meu alvo maior, o eterno culpado, quem tinha consumido todo meu tempo,com suas idéias empreendedoras, em ritmo de avalanche: meu marido.

Eu já não queria estar casada, estava impertinente com meu marido e não tinha como evitar o péssimo humor. Todos ao meu redor eram vítimas da nuvem negra que pairava sobre mim. Incluindo meus filhos!

Certa vez cheguei de viagem, depois de 10 dias fora e quando abri a porta, todos na sala….. se calaram! Meu filho levantou do sofá e me deu um beijo discreto, minha filha e meu marido sequer levantaram no sofá. Só um “oi” de longe. A casa ficou em silêncio.
Neste dia decidi que eu precisava fazer algo por mim. Menos de 30 dias depois, em meio a uma discussão, tomei a decisão. Acordei no dia seguinte, arrumei algumas coisas em duas malas, tive uma longa conversa com meus dois filhos, já adolescentes e segui para uma outra casa, que eu tinha em outra cidade, 200 km longe dali.

Claro que somente frustração não te leva a arremessar um casamento pela janela. Muitas coisas aconteceram nesses 16 anos. Os convives se machucam, se provocam, se ofendem. Isso é natural do ser humano. Mas em prol da família, relevamos, perdoamos, porque ninguém é perfeito. Em cada momento que eu estive a ponto de explodir, colocava tudo na balança. A parte boa pesou mais por muitas vezes. Seguia a vida.

Agora, quando você se depara com o tempo que passou, sem que você tivesse feito nada só por você, isso choca. A partir daí, quando as ponderações iam pra balança junto com toda a bagagem dos últimos 16 anos, o lado pró-separação começou a pesar mais.

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Quando não estamos bem, temos a comodidade de ficar esperando que alguma mágica mude nossas vidas. Fazemos tudo igual e esperamos resultados diferentes.

Penso que o mais difícil seja conseguir enxergar com clareza a situação e depois disso não protelar. Só nós podemos tomar atitudes que são capazes de mudar nossas vidas.

Independente do que te incomoda no relacionamento, nunca passe por cima do que não te faz bem, em prol de outra pessoa. Pondere, aguarde, procure alguém que te ajude a esclarecer as coisas, mas por fim, mexa-se! 😉

O que eu quero com isso?

Passado o luto, veio uma vontade pesada de escrever!

Sim, o divorcio vem seguido de um período de luto, independente de ter sido uma opção sua ou não se divorciar. Algo morreu ali, um sentimento, uma vida compartilhada, um período da sua história.

Pois bem, o fato é que ninguém, por mais que queira se divorciar, calcula o que vem em seguida. Eu também não fazia a menor ideia… O que se deseja do pós-divórcio, só seria possível se vivêssemos em uma espécie de vácuo… vácuo não com ausência de ar e sim de pessoas, claro.

O que eu quero com esse blog? Por tudo pra fora!!

Aqui vou tentar abordar cada situação que passei e que ainda vou passar, prevista ou não, boa ou ruim. Refletir sobre isso. Quem sabe isso ajudará alguém ou pelo menos confortará, criaturas que passaram por situações semelhantes ou que estão tentando refletir sobre o que estão enfrentando.

😉 Até!